“Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade
absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza.”
Edgar Morin
Drucker expressa que o principal problema moral da sociedade do conhecimento, será o da responsabilidade dos homens capacitados de conhecimento.
Morin acrescenta que o crescimento ininterrupto dos conhecimentos constrói uma gigantesca torre de babel, que murmura línguas discordantes. A torre nos domina porque não podemos dominar nossos conhecimentos. Daí a frase de T.S. Eliot: “Onde está o conhecimento que perdemos na informação?” O Conhecimento só é conhecimento enquanto organização, relacionado com as informações e inserido no contexto destas. Em toda parte, na ciência como nas mídias, estamos afogados em informações. Cada vez mais a gigantesca proliferação de conhecimento escapa ao controle humano”.
Além disso, continua, os conhecimentos fragmentados só servem para usos técnicos. Não conseguem se conjugar para alimentar um pensamento capaz de considerar a situação humana no âmago da vida, na terra, no mundo, e de enfrentar os grandes desafios de nossa época. “Não conseguimos integrar nossos conhecimentos para condução de nossas vidas.” Daí o sentido da segunda parte da frase de Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?” Há um conhecimento que é compreensivo e está fundado sobre a comunicação e a empatia – simpatia, mesmo – intersubjetivas. Assim compreendo as lágrimas, o sorriso, o riso, a cólera, o medo, ao ver o ego alter como alter o ego, por minha capacidade de expressar os mesmos sentimentos que ele. A partir daí compreender comporta um processo de identificação e de projeção de sujeito a sujeito. Se vejo uma criança em prantos, vou compreendê-la não pela medição do grau de salinidade de suas lágrimas, mas por identificá-la comigo e identificar-me com ela. A compreensão, sempre intersubjetiva, necessita de abertura e generosidade”, conclui Morin.
Para Hansen, o conhecimento se dá através da relação sujeito x objeto, o conhecer depende de uma forte motivação do sujeito e de uma atração intrínseca do objeto, bem como da intuição, emoção e desejo.
Na Sociedade do conhecimento, do presenciamento do homem como um ser supremo, as pessoas precisam cada vez mais “aprender a aprender”. Quebrar o paradigma que as matérias, os currículos, tenham mais importância do que a “capacidade de o aluno continuar a aprender e sua motivação para fazê-lo” É necessário que os alunos e os promotores do saber assumam as novas responsabilidades pela disseminação e autogestão do conhecimento. E que o saber seja o novo passaporte para o futuro.
Tanto no ocidente quanto no oriente, o conhecimento sempre foi aplicado ao ser, enfatiza Drucker. Quase da noite para o dia passou a ser aplicado ao fazer. Tornou-se um recurso e uma utilidade. O conhecimento foi sempre um bem privado. Quase da noite para o dia tornou-se um bem público. Torna-se necessário, pois que os homens do conhecimento, as empresas elejam o aprendizado como uma estratégia que possa ser difundida, praticada em todos os níveis da sociedade e que não dependa somente das escolas e Universidades. Dependa e esteja ligada exclusivamente ao desejo e a um sentido e a capacidade de todos aprenderem mais a cada dia. Como o conhecimento é uma relação entre sujeito e objeto, conseqüentemente o sujeito deve estar motivado para encontrar um significado no objeto, e este cobrir-se de atratividade para encantar o sujeito.
Conhecido na Grécia como uma instância subjetiva, o saber representava para Sócrates o autoconhecimento – crescimento moral, intelectual e espiritual. Aplicado ao ser. Protágoras concebia-o como a arte de tornar o homem eficaz, permitindo-lhe o que dizer e como dizê-lo. Emprestava-lhe um valor objetivo. Neste milênio, torna-se o bem mais valioso da humanidade – conhecimento sem fronteiras, globalizado, aplicado ao saber fazer. Único recurso significativo hoje, nas palavras de Drucker, porque o conhecimento sem enfocar a contribuição é ineficaz. Tom Peters diz que o ponto central é construir “estruturas administrativas do conhecimento formal para captar e gerenciar o conhecimento como um ativo estratégico”. Fazer dos conhecimentos um atalho para novos conhecimentos. O conhecimento tácito e o conhecimento explícito, porque o primeiro proporciona o contexto do significado.
O Significado é essencial para os seres humanos. Temos a contínua necessidade de captar o sentido dos nossos mundos exterior e interior, de encontrar o significado do ambiente em que estamos e das nossas relações com os outros seres humanos e de agir conforme esse significado.
Em meio século, o mundo organizacional se transformou, passando da era do capital para a era do conhecimento. Esta mudança, explicita de Geus, sobre o interesse pela aprendizagem que existe nas empresas já faz alguns anos. “Os gerentes reconhecem que se suas empresas não puderem acelerar o ritmo de aprendizagem, o seu principal recurso ficará estagnados e seus concorrentes vão superá-las”. Para Hessen, “o sentido único do conhecimento filosófico não é tanto solucionar enigmas quanto descobrir maravilhas”.
Como explicita Nokata. “ o conhecimento só pode ser criado por indivíduos. A criação do conhecimento por parte das organizações, portanto, deve ser compreendida como um processo que amplifica organizadamente o conhecimento criado pelos indivíduos e cristaliza-o tornando-o parte da rede de conhecimento da organização”.